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  Em debate, os efeitos da vibração de ferramentas manuais motorizadas

Em debate, os efeitos da vibração de ferramentas manuais motorizadas 


Em Conferência Internacional, países discutem estratégias para avaliação e prevenção da Síndrome da Vibração em Mãos e Braços em trabalhadores 
 Durante a realização da 11ª Conferência Internacional sobre Vibração em Mãos e Braços realizada em junho de 2007, na cidade de Bologna (Itália), o pesquisador da Divisão de Riscos Físicos da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), Irlon de Ângelo da Cunha, apresentou aos participantes de outros países os resultados do trabalho de avaliação da exposição à vibração em marmorarias com procedimentos diferenciados de medição.

No Brasil, bem como em outros países, milhões de trabalhadores podem apresentar distúrbios e problemas resultantes da exposição ocupacional a vibrações mecânicas, nas mais diversas situações de trabalho. Entre estas estão atividades de acabamento em marmorarias, na mineração, na área florestal e em outros segmentos industriais.

Na conferência foram apresentados trabalhos científicos de vários países sobre vibração em mãos e braços, entre eles o Brasil. Em paralelo houve a apresentação de workshop sobre a aplicação da Diretiva Européia 2002/44/EC, em vigor desde junho de 2005. A Diretiva, adotada por países da comunidade européia, instituiu nível de ação e limites de vibração em mãos e braços.

Síndrome da Vibração

Desde 1972, a Conferência Internacional sobre Vibração em Mãos e Braços, restrita a grupos de pesquisa específicos envolvidos com vibração, vem contribuindo de modo significativo para o conhecimento e conscientização pública sobre os aspectos relacionados à Síndrome da Vibração em Mãos e Braços (SVMB) - uma terminologia utilizada para designar os diversos distúrbios ocasionados pela vibração, como as alterações de ordem vascular, neurológica, osteoarticular e muscular.

A Síndrome pode ocorrer pela utilização de marteletes, motosserras, esmerilhadeiras e outros tipos de ferramentas manuais vibratórias elétricas e pneumáticas. Podem ser agravantes fatores como o tempo exposição, as características das ferramentas e da vibração, os métodos de trabalho, a instensidade e a direção das forças aplicadas pelo operador ao segurar a ferramenta, as posturas das mãos e braços, entre outros.

"Participar de um evento dessa natureza é muito importante para observar como os demais países tratam a questão", assegura Irlon Cunha. Para o pesquisador da Fundacentro a implementação de níveis de ação e limites de exposição instituídos pela Comunidade Européia, constituem importantes aspectos a serem discutidos e, em alguns casos, aplicados na realidade do Brasil.

Limites a serem estabelecidos

Para Irlon, a atual legislação brasileira quanto aos limites para os agentes físicos que provocam vibração em mãos e braços necessita de atualização quanto aos agentes físicos, especialmente o Anexo 8 da Norma Regulamentadora nº 15 (NR-15), que trata da exposição à vibração.

O objetivo desta reformulação é reduzir a possibilidade de ocorrência de lesões aos trabalhadores com a implementação de ações preventivas, de vigilância à saúde focada no agente, e de orientação e capacitação dos trabalhadores, de modo a reduzir a exposição.

Por isso, a Fundacentro vem contribuindo de diversas formas, incluindo o esforço para a elaboração de uma norma voltada à avaliação da exposição ocupacional à vibração em mãos e braços. Essa norma, por sua vez, trará subsídios úteis às ações de reconhecimento, avaliação e prevenção do risco.

O pesquisador considera que a exposição ocupacional à vibração merece maior atenção por parte das empresas e profissionais envolvidos com as questões de Saúde e Segurança. "Freqüentemente encontramos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) abordam o agente de forma inadequada ou mesmo nem mencionam a vibração, apesar de existir a obrigação legal de sua inclusão, ainda que a avaliação seja de caráter qualitativo, de forma a dar visibilidade e permitir incluí-la nas ações prevenção e controle", adverte Irlon. 


                                                                      Fonte: Portal Fundacentro - 25/09/07

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